Olhar Econômico

29 dezembro, 2005

E o crescimento sustentável?

Sempre tive um ávido interesse pelo tema crescimento econômico. Mesmo antes de cursar economia, me questionava sobre os meios que fazem um determinado país ter taxas de crescimento maior que outros. A questão sempre era, porque o país A tem uma riqueza per capita maior que o país B ou ainda como que estes países podem ter taxas tão diferentes ao longo de anos, década e porque oscila tanto. Acredito que a economia surge justamente para fornecer os meios de entendimento.


Uma das questões que me suscitam dúvidas é sobre o esforço do governo para atender o superávit primário. Isto é divulgado frequentemente na mídia como um elemento que subtrai dos recursos públicos aqueles valores destinados aos investimentos. Quando começamos a observar rapidamente alguns dados da economia percebemos que a taxa de juros no país é uma das mais altas do mundo (taxa real), mesmo assim não nos preocupamos tanto com as oscilações no mercado financeiro, pois nossa balança comercial, via superávit nas exportações, tem fortalecido as reserva em moeda extrangeira. Isto tem causado uma da mais fortes apreciações do dolar americano. Outro ponto importante é a inflação controlada, devido principalmente, a alta taxa de juros praticada no país. O reflexo da inflação controlada é uma leve e gradual queda na taxa de juros pelo Copom. Neste cenário de otimismo até os índices de risco Brasil, medidos por consultorias especializadas tem se mantido baixos, devido aos altos percentuais do superávit primário, além da influência positiva do pagamento antecipado de parcelas da dívida com FMI.

Mesmo com esse cenário todo favorável o IBGE informou que um recuo de 1,2% na produção de bens e serviços no último trimestre e dificilmente o ano terminará com um crescimento superior a 2,5%.


A questão é: será que todos os esforços para a elevação do superávit primário terão os resultados esperados no médio e longo prazo ou será que mesmo com estes níveis altos o país sofrerá com a escasses de recursos para alvancar os investimentos e o crescimento não ocorrerá de forma satisfatória?


Acredito que alguns percalços todos os países passam, mas alguns encontram rapidamente as forma de contornar. O Brasil, é um caso onde os economistas e gestores públicos sempre se encontram numa situação limiar de falta ou escassez de divisas. O superávit primário elevado ajuda neste esvaziamento, mas não se pode pensar unicamente como um elemento inibidor. Acredito que outros elementos contribuem, como a má gestão, a corrupção, os desvios, ou seja, o enfraquecimento das instituições que devem zelar pela boa conduta e utilização dos erários públicos. O crescimento econômico não é impedido apenas pelo alto superávit, se afirmamos isto, estaríamos separando e observando apenas um princípio ativo desta enorme inter-relação econômica. Uma das fontes de informação importante é os textos do IPEA, onde seus pesquisadores apresentam análises sobre os indicadores das contas públicas e algumas conclusões podem ser tiradas como a enorme disparidade entre receitas e despesas. O Brasil é um país que tem uma das mais altas cargas tributárias do mundo, isto por si só já faz entrar uma volumosa soma de recursos. Agora, o Brasil é também um país que gasta enormemente mal seus recurso, talvez, resida ai boa parte do problema.


Crescimento econômico sustentável passa por mais investimentos, tanto do setor público (educação, transporte, infra-estrutura, tecnologias, etc) e do setor privado (abrindo novas plantas industriais, etc) passa, também por um melhor gasto dos recursos públicos, por uma carga tributária menor. Bem, acho que se formos enumerar detalhadamente outras variáveis devem ser integradas para que se tenha uma visão geral deste importante tema econômico.