Olhar Econômico

11 dezembro, 2005

Erro de digitação faz corretora japonesa perder R$ 500 milhões

Um erro de digitação de um corretor japonês provocou um prejuízo de pelo menos R$ 500 milhões ao banco de investimentos em que trabalha, a Mizuho Securities. Ele acidentalmente ofereceu 610 mil ações da empresa J-Com por 1 iene cada, quando deveria vender apenas uma ação pelo preço de 610 mil ienes (US$ 5.065, ou R$ 11.034), informou a CNN.
As centenas de milhares de ações que o corretor disponibilizou valiam, no total, US$ 3,1 bilhões. Segundo as regras de mercado, o pedido não poderia simplesmente ser cancelado.
O erro milionário só não foi pior porque regras do mercado japonês limitam a flutuação dos preços de ações, e por isso ninguém conseguiu comprar de verdade as ações por 1 iene. Mas pode ter havido vendas pelo preço de 572 mil ienes (US$ 4.750) cada, o que representa um desconto de 9% no preço de venda pretendido.
O presidente da Mizuho Securities, Makoto Fukuda, disse que a empresa conseguiu recomprar a maioria das ações vendidas. Acredita-se que ela deva estar tentando comprar outras.
O custo do erro, pelos cálculos preliminares, já chegou a US$ 224 milhões, mas pode atingir US$ 250 milhões se a Mizuho conseguir recomprar todas as ações.
"É um monumental erro de corretagem, mas felizmente esse é um grande banco, com bastante reserva", disse Jason Rogers, um analista de crédito da Barclays Capital.
O presidente da Mizuho, Fukuda, visitou o Ministério da Economia e de Serviços Financeiros nesta sexta-feira para se desculpar pela "bagunça".
Muitos dos operadores de mercado se surpreenderam com a passagem de uma ordem tão absurda pelo sistema da Bolsa de Tóquio. "A ordem de venda, que oferecia mais ações do que as disponíveis, de algum modo entraria no sistema da Bolsa. Ela não pode dizer que não tem nada a ver com isso", afirmou Massaru Ueda, chefe da divisão de estartégia de investimentos da Mauran Securities Co. Ltda.
A Bolsa de Valores de Tóquio disse ser a primeira vez que uma ordem de venda excede o número de ações disponíveis. As negociações dos ativos da J-Com foram suspensas durante toda a sexta-feira e ainda não foi decidido se serão retomadas na segunda-feira.
Se fosse no Brasil, o que seria dessa criatura em? Lá os operadores de mercado focam no sistema da Bolsa de Tóquio e no Brasil, você ache que quem seria culpado pela falha, o operador ou o sistema eletrônico? Invertia