Olhar Econômico

11 dezembro, 2005

Negócio Seguro na América Latina


A Revista América Economia publica uma matéria sobre o crescimento do mercado de seguros.
Apesar de seus problemas e limitações, a indústria seguradora cresce mais do que nunca na América Latina e atrai diferentes competidores, com os bancos na liderançaÀ primeira vista, as companhias de seguros do Brasil aparecem como as maiores e com os melhores índices de rentabilidade da região. Se consideramos as 100 maiores companhias de seguros da América Latina por prêmios, as brasileiras ganham facilmente quase todos os 50 primeiros lugares. Mas as diferenças institucionais e de regulação tornam impossível comparar a gestão destas empresas entre os diferentes países latino-americanos. No Brasil, por exemplo, as companhias de seguros também incluem o negócio dos seguros de saúde e de pensões, enquanto no Chile, por exemplo, estes estão separados e em mãos de instituições sujeitas a regulações diferentes. Assim se explica a existência de monstros como Bradesco Vida e Previdência, que conta com mais de US$1 bilhão em prêmios, e é a razão pela qual neste primeiro ranking das maiores companhias de seguros da América Latina as comparações são feitas país por país. A análise torna-se mais complexa se consideramos as particularidades dentro do próprio negócio. Enquanto os bancos administram riscos financeiros, as companhias de seguros focam-se nos riscos pessoais e patrimoniais, o que divide estas firmas entre as que se dedicam aos seguros de vida e as que concentram nos seguros gerais. Muitas companhias estão em ambos os negócios, embora estes sejam muito diferentes. Sem dúvida, o maior e mais rentável negócio é o dos seguros de vida. O negócio dos seguros gerais, por sua vez, tem maior rotatividade, e se produzem mais incêndios, o que faz com que o negócio dependa em boa parte da determinação do preço do prêmio com relação ao risco. Isto faz com que estas últimas empresas assumam menos riscos. Mas o fato é que os seguros transformaram-se em um grande negócio na região e aumentam o apetite de outros competidores. Basta ver o alto nível de participação das divisões de seguros dos bancos em países como Argentina, Brasil, México, Peru e Venezuela. Em outros países, como o Chile, as companhias de seguros tradicionais ainda mantém um espaço importante. No entanto, a concorrência promete aumentar, já que com a convergência competitiva do varejo bancário e financeiro-comercial, praticamente não há instituição do sistema financeiro que não esteja oferecendo algum tipo de seguro, para o que seja. Como citava a consultoria Accenture a um executivo de uma importante companhia de seguros, “não existe risco incapaz de ser garantido, só o preço está mal calculado”.
METODOLOGIA. A informação apresentada corresponde a junho de 2005, e foi passada pelas respectivas superintendências de seguros da região.Para o cálculo da rentabilidade do patrimônio foi anualizado o lucro de seis meses, portanto este número deve ser considerado com cautela. O indicador da dívida sobre patrimônio representa a razão entre o passivo exigido e seu patrimônio. Razões conservadoras equivalem a até 15 vezes para companhias que oferecem seguros de rendas vitalícias, e até cinco vezes para aquelas que só oferecem seguros patrimoniais. A eficiência operacional representa o intervalo entre o custo de administração e a margem de operação. O ranking tenta homogeneizar a informação dos diferentes países, no entanto comparações entre eles devem ser feitas com reserva.