Olhar Econômico

25 dezembro, 2005

Wal-Mart e o benchmark

Nunca me esqueço de uma aula de Contabilidade onde o prof. sempre colocava "me defina benchmark". O wal-mart é uma empresa que se utiliza deste termo, muito comum no meio empresarial.

A maior rede de varejo do mundo não tem vergonha de assumir que copiará as melhores práticas de seus concorrentes. E isso pode ocorrer desde já – tendo como referência a gaúcha Zaffari. "A rede é uma excelente competidora e não temos vergonha de afirmar que a copiaremos. Sam Walton, fundador do Wal-Mart, sempre fez isso: imitar o que é bom para o cliente", admite Wilson de Mello Neto, vice-presidente jurídico e de assuntos corporativos do Wal-Mart, em visita à Redação de AMANHÃ na tarde desta terça-feira (20). A rede Zaffari é conhecida por oferecer um atendimento personalizado, bem como uma maior variedade de produtos exclusivos, se comparada a seus concorrentes. O executivo também garante que a concorrência em Porto Alegre é menor do que em Curitiba. "Na capital paranaense, lutamos com Makro, Carrefour, Pão de Açúcar, Muffato e Condor”, explica. Confira, abaixo, os principais pontos abordados por Mello Neto nesta entrevista concedida a AMANHÃ.

Desmitificação – O executivo nega a fama de que o Wal-Mart estrangule fornecedores para comprimir os preços. “A nossa política de relacionamento com fornecedores é melhor do que a da concorrência”, assegura. Mello Neto avisou que Rio Grande do Sul e Santa Catarina logo poderão comprovar essa tese. A partir da segunda quinzena de janeiro, a multinacional fará reuniões para cooptar novos fornecedores nos dois estados. Segundo o executivo, também é mito o fato de que o Wal-Mart pratica achatamento de salários de funcionários. "Pesquisas do Hay Group mostram que, há muitos anos, pagamos acima da média salarial praticada no varejo do Brasil", indica. Mello Neto reconheceu, no entanto, que a rede precisa melhorar o relacionamento com os sindicatos.

Expansão no Brasil – Mello Neto também falou sobre os planos de expansão do grupo no país. De acordo com ele, hoje, o Wal-Mart tem plenas condições de operar em cidades com menos de 100 mil habitantes – ao contrário do que ocorria quando a rede desembarcou no Brasil, há dez anos. "Atualmente, temos vários formatos de operação para diferentes realidades, o que facilita o nosso crescimento", explica. Segundo o executivo, não está descartada a possibilidade de a rede norte-americana realizar novas aquisições no futuro. Nos últimos 18 meses, o Brasil foi o país que mais recebeu investimentos do Wal-Mart depois dos Estados Unidos. "O principal executivo na América Latina visitou o Brasil cinco vezes. Isso mostra o quanto o país é estratégico, atualmente, para o Wal-Mart", conta Mello Neto. Ele adiantou também que a companhia está fazendo um estudo de cem dias nas 140 lojas do Sonae para ver a necessidade de promover mudanças. A possibilidade de fechamento de lojas está descartada.

Negociação com o Sonae – Mello Neto confidenciou, também, que o grupo norte-americano flerta com a rede portuguesa Sonae há pelo menos 4 anos, mas as negociações se intensificaram somente nos últimos 4 meses. No período de definições, as reuniões eram cercadas de todo o cuidado. "Trocamos de hotel em Porto Alegre e mudamos o data-room para São Paulo, porque aqui a agitação era muito grande". (Redação de AMANHÃ)