Olhar Econômico

31 janeiro, 2006

Crescimento

Segundo o Banco Mundial, considerando apenas o PIB brasileiro, seria necessário que a economia crescesse 5% ao ano por 12 anos consecutivos para reduzir a pobreza pela metade.

29 janeiro, 2006

Reeleição

A questão é: O que leva um governante a reeleição? O Instituto de Pesquisas Econômica Aplicada-IPEA, apresenta algumas pistas. No estudo, intitulado "O Que Leva um Governante à Reeleição?" dos autores Fernando B. Meneguin, Maurício S. Bugarin e Alexandre X. de Carvalho.

Os resultados do estudo, sugerem que quanto maiores são as reais chances de um governantes se tornar um reeleito, maiores serão seus controles nos gastos públicos. Esse comportamento tem um destaque maior quando a despesa pública per capita aumenta.

A conclusão sugere que "Quando se discrimina a despesa entre custeio e investimento, constata-se que o eleitor condena a primeira e premia a última, confirmando a intuição de que obras públicas cativam o eleitorado. Do lado da receita, o eleitor favorece o governante que consegue recursos para o município, em especial os que não são obtidos por meio de política tributária."

Leia o texto.

Palocci


Palocci mais uma vez não escapou da "sabatina" no congresso, sobre acusações de desvios de recursos públicos e aceite de proprinas. Mas, mesmo tendo suas respostas aceitas pelos oposicionistas do atual governo, o jornal Gazeta Mercantil, não deixou por menos. Veja essa charge ao lado.

Só no Brasil: juros de 13%



A Revista América Economía faz um leitura do ano de 2005 na economia brasileira. Como já era esperado, ressalta a enorme taxa de juros praticada no país. Diga-se de passagem, a maior taxa juros real do mundo e, em 2005, ficou cotada a 13% ao ano.

Mas, o ano de 2005 reservou algo de bom também. Pode-se começar falando a queda no risco país. Que ficou cotado na faixa do 300 pontos. Como é colocado na revista, "o país nunca esteve tão próximo de recuperar a saúde financeira e entrar para o clube dos países com risco de crédito classificado como “grau de investimento”, cujos títulos de dívida são considerados uma aplicação segura no mercado internacional".

O controle da inflação, também é apontado como uma vitória em 2005. Onde a política adotada consegue manter a duras penas e, comprometendo o crescimento do PIB futuro, as baixas taxas de inflação. Abre-se um parêntese aqui, pois cito uma entrevista do ex-presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, ao sítio UOL News. Na entrevista, Eris afirma "Se o custo de baixar a inflação de 5,5% para 4,5% é muito elevado, não vejo porque não podemos aceitar a idéia de que devemos chegar de 5,5% a 4,5% em 3 anos em vez de em 1 ano, desde que a gente mantenha a trajetória de redução gradual de inflação e mantenha a inflação sob controle. Essa diferença pode ser enorme em termos de crescimento de PIB." O reflexo natural destas medidas "anti-inflação"são as taxas pífeas de crescimento do PIB.

Mas, os juros não podem ser baixados tão facilmente. Atravé de uma simples e simpática "canetada" do presidente. Pois, isso poderia prejudicar anos de trabalho. Uma queda efetiva passa, a meu ver, por diversos fatores. Um deles é ter mais controle no gasto público. Não se pode admitir que uma carga enorme de tributos faça ainda o governo sugar recursos que seriam destinados aos investimento privados. Neste aspecto, as taxas são os meios de atrair esse capitais. Ainda mais em tempos de alta liquidez internacional. A revista Forbes, faz uma colocação interessante quando cita as intervenções do governo para conter a queda do dólar americano e sugere um "trade-off" nunca visto "as intervenções certamente impediram uma queda ainda maior do valor da moeda norte-americana, mas isso é um processo de "enxugar gelo", já que o governo vem aumentando sua dívida interna em reais, a taxas de juros absurdamente altas, para captar recursos que destina à compra de moeda estrangeira, que por sua vez, propicia baixas taxas de juros. É um "trade-off" impossível de entender e que penaliza o crescimento da economia, condenando o País a manter uma trajetória de crescimento medíocre, se comparada com os outros países emergentes."

Outra questão são as reformas da previdência, do judiciário e dos marcos regulatórios. Assim, falar em queda de juros é simples, mas a questão se torna mais complexa quando algumas variáveis importantes estão envolvidas.

28 janeiro, 2006

Meirelles

Já fazia tempo que eu não lia uma entrevista do Presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles. Talvez Meirelles obteve destaque secundário, pela grande exposição de Palocci na mídia. E, esta entrevista foi concedida em Davos, no Fórum Econômico Mundial.

Meirelles fala sobre as projeções para a economia brasileira e refuta a idéia de que as políticas adotadas nos juros tem freado o crescimento do país. Até ai tudo bem, pois não seria esperado de um Presidente de Banco Central uma atitude mais audaciosa. Pede ainda a independência do Banco Central. Não entendo o porque, pois o Copom quando discute manter ou não as taxas parece que não leva em consideração as pressões políticas e da sociedade.

Quando questionado sobre uma comparação nas taxas de crescimento da economia brasileira, efetuadas por Furlan, Meirelles não concorda com os países que são utilizados. Para ele, China e Índia, apesar de ter espetacular destaque nos fundamentos econômicos, tem grades diferenças com o Brasil. Neste ponto, Meirelles descreve inumeras condições e situações que os diferenciam e acredita que o Chile é o país mais indicado para servir de parâmetro para as análises do desempenho econômico Brasileiro.

Quando fala do Chile, deixa escapar um ponto forte e que vem trazendo bons resultados aos índices de endividamento deste país, atualmente em cerca de 20% do PIB. No Chile, a previdência social foi privatizada e ao invés de subtrair recursos, os adiciona a economia. Pois se sabe que o Estado, como um todo, não consegue atingir com a mesma eficiência os índices atingidos pela iniciativa privada em alguns setores. A previdência é um deles. Se bem que no Brasil cresce muito o mercado de previdência complemetar (privada).

Depois dessa colocação fico me questionanado se está não é uma linha futura que o governo possa tomar. Talvez não seja nesse governo, mas em outros que o seguirão. Será que seria interessante para os segurados da atual previdência uma privatização dos serviços e contribuições? Parece que este é um caso que já está sendo estudado pelo BC.

22 janeiro, 2006

BID será privatizado?

O governo Bush se move no sentido de fomentar reformas no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A intensão dos EUA é tornar o banco uma instituição que empresta recursos, também, para o setor privado. Os EUA detém 30% do capital acionário do BID, fazendo valer uma enorme barganha política pelas mudanças. O banco é uma instituição que emprestou em 2004, cerca de US$ 6 bilhões, quase 25% aquém de sua capacidade sustentável.

Como sugeriu Bush, "a principal mudança no banco será um aumento nos créditos ao setor privado, que este ano somariam menos de 5% do total. A idéia é aumentar a proporção ao máximo permitido de 10%, ou até aumentar o limite, para chegar a novas áreas, como turismo, agronegócios, tecnologia e reconversão industrial. “O setor privado é indispensável para a relevância do banco”, diz Liliana Rojas-Suárez, presidente do Comitê Latino-Americano de Assuntos Financeiros, que em janeiro apresentará a Moreno uma série de propostas de reformas".

Nestas mudança, insere-se as novas modalidade de crédito, dotadas de mais agilidade, foco e eficiência.

Pelo toque que Bush está tentando dar no BID recursos parecem que não vão faltar. Espera-se que os investimentos nas áreas sociais, infra-estrutura e saneamento, os carros-chefes do BID até o momento não sejam prejudicados.

Leia mais na Revista América Economía

Imposto: mais um recorde foi batido

A sociedade brasileira pagou R$ 364,136 bilhões em impostos e tributos em 2005 e a Receita Federal bateu recorde de arrecadação anual. Em valores reais, já descontada a inflação, a arrecadação foi de R$ 372,488 bilhões, um crescimento de 5,65% sobre 2004.
Além disso, a arrecadação da Receita Previdenciária chegou a R$ 115,897 bilhões, um crescimento real de 7,23%. O Imposto de Renda e a Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) foram os dois tributos que mais contribuíram para o total arrecadado, R$ 124,618 bilhões e R$ 86,902 bilhões, respectivamente.
Já o maior crescimento foi registrado na CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), 20,6%. Destaque também para as arrecadações do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). No caso de automóveis, o crescimento foi de 18%, reflexo do aumento do volume das vendas de veículos. Já o IPI cobrado sobre os demais produtos (excluindo bebidas) cresceu 13,57% em 2005.
Segundo a Receita, esse desempenho é fruto do crescimento da indústria. A arrecadação da Receita em dezembro foi de R$ 36,994 bilhões, um crescimento de 23,55% sobre novembro e de 7,30% sobre o mesmo mês de 2004. Já a Receita Previdenciária arrecadou R$ 15,966 bilhões em dezembro, um aumento de 12,95% sobre o mesmo mês de 2004.

21 janeiro, 2006

As relações trabalhistas

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apresenta um estudo que aponta os salários médios pagos no Brasil são cinco vezes menores que os salários pagos nos Estados Unidos. Os dados da pesquisa são referentes a 1995 e 1998. O artigo é intitulado "O Que Explica a Diferença de Rendimentos entre Trabalhadores Americanos e Brasileiros? uma análise com microdados" de André Luiz Sacconato e Naércio Aquino Menezes-Filho.
Em 1998 a média de rendimentos por hora nos Estados Unidos era de US$ 10,41 e no Brasil de US$ 1, 88, enquanto em 1995 o rendimento médio nos Estados Unidos era de US$ 13,20 e de US$ 3,40 no Brasil.
Fora essa desvantagem acentuada nos salários está a melhor distribuição de renda dos americanos. No estudo do IPEA fica provado que os fatores que mais influenciam essa disparidade são as diferenças educacionais e de produtividade média dos trabalhadores.
O mais interessante nisso tudo é quando relacionamos o que diz José Pastore no seu artigo intitulado "China dobra força de trabalho mundial" ao texto do IPEA. Pastore faz uma incursão na mão-de-obra chinesa. Para José Pastore os chineses inovam em fornecer a mão-de-obra mais barata e atualmente qualificada do mundo. Segundo Pastore, O salário médio mensal nas boas indústrias da China é de US$ 100. É uma diferença brutal em relação ao mundo ocidental. Nas indústrias médias e pequenas, isso cai para US$ 80, US$ 70 e até US$ 60. Mais que baixos salários os chineses aumentam sua produtividade e fazendo com que o mundo delegue a seus trabalhadores a elaboração de boa parte dos produtos eletrônicos que consomem.
Para Pastore a melhoria nos salários exige uma rápida reformulação das leis vigentes e uma intensificação da formação profissional para que, através dessas duas medidas, a mão-de-obra do Brasil possa se tornar competitiva e produtiva em níveis mundiais.
Como se vê as opiniões não convergem, mas sinalizam que algo muda nas relações trabalhistas.

15 janeiro, 2006

Ameaça ao Meio Ambiente

O Worldwatch Institute, sediado nos EUA, apresenta um relatório onde sugere que a China e a Índia nos atuais níveis de crescimento econômico trarão sérios danos ao meio ambiente do globo. Danos irreparáveis.
Acho interessante ler isto vindo de um instituto sediado nos EUA, pois todos sabem que atualmente são os americanos que lideram esse processo de poluição. Recentemente ocorreu na Unisc um seminário sobre o Protocolo de Kioto, onde apresentou-se um pouco sobre este tema tão atual. Ficou claro que quem não tem contribuido para a redução dos efeitos destes gases é justamente os EUA. Este país e alguns europeus, como a Inglaterra afirmam que se colocarem em prática as regras do Protocolo suas economias serão sériamente prejudicadas.
Cito apenas os gases de efeito estufa, mas em termos de crescimento econômico de uma nação não se resume a isto apenas. Poderia citar o uso indevido de rios nos processos de descartes dos efluentes, nas derrubadas e outras.
Acredito que o crescimento chinês e indianos nos atuais níveis, somados aos dos EUA e Europa nada tem a contribuir com o crescimento sustentável do planeta, mas culpar apenas os chineses e indianos pelos danos futuros ao mundo por suas respectivas escolhas por um crescimento acelerado é um tanto contraditório.