Olhar Econômico

21 janeiro, 2006

As relações trabalhistas

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apresenta um estudo que aponta os salários médios pagos no Brasil são cinco vezes menores que os salários pagos nos Estados Unidos. Os dados da pesquisa são referentes a 1995 e 1998. O artigo é intitulado "O Que Explica a Diferença de Rendimentos entre Trabalhadores Americanos e Brasileiros? uma análise com microdados" de André Luiz Sacconato e Naércio Aquino Menezes-Filho.
Em 1998 a média de rendimentos por hora nos Estados Unidos era de US$ 10,41 e no Brasil de US$ 1, 88, enquanto em 1995 o rendimento médio nos Estados Unidos era de US$ 13,20 e de US$ 3,40 no Brasil.
Fora essa desvantagem acentuada nos salários está a melhor distribuição de renda dos americanos. No estudo do IPEA fica provado que os fatores que mais influenciam essa disparidade são as diferenças educacionais e de produtividade média dos trabalhadores.
O mais interessante nisso tudo é quando relacionamos o que diz José Pastore no seu artigo intitulado "China dobra força de trabalho mundial" ao texto do IPEA. Pastore faz uma incursão na mão-de-obra chinesa. Para José Pastore os chineses inovam em fornecer a mão-de-obra mais barata e atualmente qualificada do mundo. Segundo Pastore, O salário médio mensal nas boas indústrias da China é de US$ 100. É uma diferença brutal em relação ao mundo ocidental. Nas indústrias médias e pequenas, isso cai para US$ 80, US$ 70 e até US$ 60. Mais que baixos salários os chineses aumentam sua produtividade e fazendo com que o mundo delegue a seus trabalhadores a elaboração de boa parte dos produtos eletrônicos que consomem.
Para Pastore a melhoria nos salários exige uma rápida reformulação das leis vigentes e uma intensificação da formação profissional para que, através dessas duas medidas, a mão-de-obra do Brasil possa se tornar competitiva e produtiva em níveis mundiais.
Como se vê as opiniões não convergem, mas sinalizam que algo muda nas relações trabalhistas.