Olhar Econômico

28 janeiro, 2006

Meirelles

Já fazia tempo que eu não lia uma entrevista do Presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles. Talvez Meirelles obteve destaque secundário, pela grande exposição de Palocci na mídia. E, esta entrevista foi concedida em Davos, no Fórum Econômico Mundial.

Meirelles fala sobre as projeções para a economia brasileira e refuta a idéia de que as políticas adotadas nos juros tem freado o crescimento do país. Até ai tudo bem, pois não seria esperado de um Presidente de Banco Central uma atitude mais audaciosa. Pede ainda a independência do Banco Central. Não entendo o porque, pois o Copom quando discute manter ou não as taxas parece que não leva em consideração as pressões políticas e da sociedade.

Quando questionado sobre uma comparação nas taxas de crescimento da economia brasileira, efetuadas por Furlan, Meirelles não concorda com os países que são utilizados. Para ele, China e Índia, apesar de ter espetacular destaque nos fundamentos econômicos, tem grades diferenças com o Brasil. Neste ponto, Meirelles descreve inumeras condições e situações que os diferenciam e acredita que o Chile é o país mais indicado para servir de parâmetro para as análises do desempenho econômico Brasileiro.

Quando fala do Chile, deixa escapar um ponto forte e que vem trazendo bons resultados aos índices de endividamento deste país, atualmente em cerca de 20% do PIB. No Chile, a previdência social foi privatizada e ao invés de subtrair recursos, os adiciona a economia. Pois se sabe que o Estado, como um todo, não consegue atingir com a mesma eficiência os índices atingidos pela iniciativa privada em alguns setores. A previdência é um deles. Se bem que no Brasil cresce muito o mercado de previdência complemetar (privada).

Depois dessa colocação fico me questionanado se está não é uma linha futura que o governo possa tomar. Talvez não seja nesse governo, mas em outros que o seguirão. Será que seria interessante para os segurados da atual previdência uma privatização dos serviços e contribuições? Parece que este é um caso que já está sendo estudado pelo BC.