Olhar Econômico

29 janeiro, 2006

Só no Brasil: juros de 13%



A Revista América Economía faz um leitura do ano de 2005 na economia brasileira. Como já era esperado, ressalta a enorme taxa de juros praticada no país. Diga-se de passagem, a maior taxa juros real do mundo e, em 2005, ficou cotada a 13% ao ano.

Mas, o ano de 2005 reservou algo de bom também. Pode-se começar falando a queda no risco país. Que ficou cotado na faixa do 300 pontos. Como é colocado na revista, "o país nunca esteve tão próximo de recuperar a saúde financeira e entrar para o clube dos países com risco de crédito classificado como “grau de investimento”, cujos títulos de dívida são considerados uma aplicação segura no mercado internacional".

O controle da inflação, também é apontado como uma vitória em 2005. Onde a política adotada consegue manter a duras penas e, comprometendo o crescimento do PIB futuro, as baixas taxas de inflação. Abre-se um parêntese aqui, pois cito uma entrevista do ex-presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, ao sítio UOL News. Na entrevista, Eris afirma "Se o custo de baixar a inflação de 5,5% para 4,5% é muito elevado, não vejo porque não podemos aceitar a idéia de que devemos chegar de 5,5% a 4,5% em 3 anos em vez de em 1 ano, desde que a gente mantenha a trajetória de redução gradual de inflação e mantenha a inflação sob controle. Essa diferença pode ser enorme em termos de crescimento de PIB." O reflexo natural destas medidas "anti-inflação"são as taxas pífeas de crescimento do PIB.

Mas, os juros não podem ser baixados tão facilmente. Atravé de uma simples e simpática "canetada" do presidente. Pois, isso poderia prejudicar anos de trabalho. Uma queda efetiva passa, a meu ver, por diversos fatores. Um deles é ter mais controle no gasto público. Não se pode admitir que uma carga enorme de tributos faça ainda o governo sugar recursos que seriam destinados aos investimento privados. Neste aspecto, as taxas são os meios de atrair esse capitais. Ainda mais em tempos de alta liquidez internacional. A revista Forbes, faz uma colocação interessante quando cita as intervenções do governo para conter a queda do dólar americano e sugere um "trade-off" nunca visto "as intervenções certamente impediram uma queda ainda maior do valor da moeda norte-americana, mas isso é um processo de "enxugar gelo", já que o governo vem aumentando sua dívida interna em reais, a taxas de juros absurdamente altas, para captar recursos que destina à compra de moeda estrangeira, que por sua vez, propicia baixas taxas de juros. É um "trade-off" impossível de entender e que penaliza o crescimento da economia, condenando o País a manter uma trajetória de crescimento medíocre, se comparada com os outros países emergentes."

Outra questão são as reformas da previdência, do judiciário e dos marcos regulatórios. Assim, falar em queda de juros é simples, mas a questão se torna mais complexa quando algumas variáveis importantes estão envolvidas.