Olhar Econômico

18 fevereiro, 2006

Argentina

Para os economistas argentinos as estimativa de crescimento do país, anunciadas pelo governo localnão são tão atrativas como se pode pensar. Na versão apresentada como"asiática", não representa uma melhora financeira na Argentina.
Segundo consta no jornal Estadão, a definição de que "a Argentina deveria ter um ritmo, constante, de cerca de 4% de expansão da sua economia. Não adianta crescer 9%, 10% durante três anos e depois cair 15%, 20%. Essa volatilidade contribui para a concentração de renda, entre outros fatores", afirmou o economista da consultoria IBCP Mariano Flores Vidal.
"Estamos apenas fazendo o suficiente para continuar no sub-desenvolvimento", criticou Aldo Abram, da consultoria Exante.

Pobreza

O economista especializado em questões sociais e trabalhistas, Ernesto Kritz, destacou que durante o governo do presidente Néstor Kirchner, de 2003 até agora, a pobreza caiu de 53% para 34%. No mesmo período, a indigência caiu de 25,5% para 12%. Mas o problema, ressaltou, ainda é a concentração de renda. "O crescimento econômico beneficiou a classe média e também voltou a incluir a classe média baixa que, na crise (2001), tinha ido para a pobreza. Mas essa expansão da economia ainda não conseguiu incluir os mais pobres", afirmou.
Os três economistas entendem que é "muito difícil" sustentar essas taxas de 9% de aumento da economia. A expectativa dos especialistas é de que a alta, este ano, será de 7% e de cerca de 4% a 5% em 2007.

Crescimento
Hoje, o país acumula 37 meses seguidos de crescimento econômico, período mais longo nos últimos cem anos. Mas, para Abram, os resultados ainda referem-se "mais à recuperação (da última etapa de recessão), com crescimento específico de alguns setores", especialmente os exportadores, como agropecuário e alumínio, por exemplo.
Para Vidal, trata-se de crescimento global da economia porque os indicadores já superam os que foram registrados em 1998, antes da pior crise na trajetória do país.

Asiático
Apesar do aumento de 18% dos investimentos, o que representa 21,5% do Produto Interno Bruto (PIB), ele é "insuficiente" - como ressaltou Vidal - para que o crescimento econômico continue equivalente ao asiático. Para que a comparação se mantivesse, as taxas de investimentos deveriam superar 30% do PIB.
Convenhamos que da enorme dificuldade enfrentadas nos últimos anos pela economia argentina, estas taxas previstas dão um verdadeiro "nó" na cabeça de boa parte dos pensadores econômicos neoliberais. Aquestão é: como que a Argentina, mesmo tendo admitido uma moratória momentânea, cresce a taxas comparáveis aos países asiáticos?. Será que "cai por terra" a tese de que uma franca amizade (fazer ao pé da letra a cartilha do FMI) com o FMI é necessário para desenvolver uma economia nacional?
Bem, sabemos que o Brasil paga adiantado e tem taxas pífeas. Essa é a única certeza que tenho no momento. Será que não deveriamos ser mais ousados e fazer por merecer o posto de mais forte economia da AL?