Olhar Econômico

09 março, 2006

Crescimento em 2006

Mais um ano de eleição e a mesma história... "A ECONOMIA VAI CRESCER COMO NUNCA CRESCEU".

Essa reportagem vem da BBC Brasil.

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse nesta quarta-feira, em Londres, que 2006 será, "com certeza, um ano de forte crescimento econômico".

"Os indicadores macroeconômicos continuam evoluindo para o bem, ou seja, as taxas de risco caindo, o perfil da nossa dívida externa nunca esteve tão positivo", afirmou o ministro. "Certamente nós vamos ter um ano de forte crescimento em 2006 e nos próximos. O que nós queremos justamente é que este não seja um ano de crescimento, nós queremos que seja o fortalecimento de um ciclo longo de crescimento para o Brasil, onde a inflação permaneça sob controle, as contas externas continuem fortes e nós possamos crescer muitos anos."
Palocci voltou a afirmar que este ano tem um perfil "muito parecido" com o de 2004, quando a economia cresceu mais de 4%. "Temos alguns elementos melhores, o risco está menor, a nossa dívida está com perfil bastante positivo", disse Palocci.
Sem falar em uma taxa específica de crescimento do PIB para 2006, Palocci disse que uma expectativa de 4% "não está muito otimista, está dentro dos elementos que o Banco Central leva em conta para estabelecer essas expectativas".

Juros e eleição
O ministro da Fazenda disse que as taxas de juros "estão em queda" e destacou a recuperação da atividade industrial que "já mostrava força em outubro, novembro e principalmente dezembro".
Palocci rebateu qualquer associação entre o aumento do PIB previsto por ele para este ano e a realização das eleições para presidente, governadores e para o Congresso em outubro.
"Ele (o crescimento econômico) não tem nenhum aspecto eleitoral, o processo de ajuste que foi feito no passado permite uma inflação menor, e a inflação menor com indicadores evoluindo positivamente vai trazer um crescimento forte."
O ministro, que falou à imprensa após um encontro com professores da London School of Economics, repetiu a idéia de que o importante para o país não é registrar crescimento significativo em um ano específico apenas.
"O mais importante para o Brasil não é crescer bem um ano, é parar de ter crises, é parar de crescer um período e ter crescimento negativo em outro", disse.
"Eu penso que essa história o Brasil já superou, eu tenho muita segurança de que nós vamos entrar num ciclo longo de crescimento. Um ano mais forte, outro ano um pouco mais fraco, mas certamente um período longo de crescimento."
As razões para isso, segundo Palocci, estão ligadas à melhoria de diversos aspectos da economia.
"Hoje nós estamos com uma relação da dívida total do Brasil, pública e privada, com as exportações que é a menor relação dos últimos 30 anos, então isso vai se refletir em incentivo para a produtividade das empresas e para o aumento da produção."
Sobre o fraco crescimento registrado no ano passado, de apenas 2,3%, bem abaixo das previsões iniciais do governo, Palocci disse que o "governo não trabalha com metas de crescimento, o governo olha expectativas de crescimento".

BBC BRASIL