Olhar Econômico

23 março, 2006

Esta anotado: 5% de crescimento em 2006

"O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, estima que a atividade econômica brasileira em 2006 crescerá 5%".

A matéria é bem interessante e saiu veiculada no jornal O Estado de São Paulo (Estadão). Eu disponibilizo, então, as palavras deste renomado economista.

BRASÍLIA - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, estima que a atividade econômica brasileira em 2006 crescerá 5% - um ponto porcentual a mais que a previsão do Banco Central. Para ele, o cenário deste ano é semelhante ao de 2004, que também começou com redução da taxa de juros básica, a Selic (atualmente em 16,5% ao ano), e com menor variação da inflação.

A corrida eleitoral deste ano, advertiu, não deverá alterar sua projeção. "O cidadão não se pergunta se há eleição neste ano. Ele está preocupado com o emprego e a renda ou lucratividade de seu negócio", afirmou. "A perspectiva de crescimento econômico é favorável e positiva. O mercado exterior continua favorável ao Brasil, não há nenhuma nuvem no horizonte, e o mercado interno está de vento em popa", acrescentou.

Conforme detalhou, a massa salarial, que corresponde a 35% do Produto Interno Bruto (PIB), está em expansão, assim como o emprego e o salário mínimo, cujo aumento deverá injetar mais R$ 25 milhões na economia neste ano.

Além disso, defendeu que há "crédito abundante" para a população de baixa renda e que as vendas do varejo já mostraram expansão de 3% a 4% neste início de ano. "O ano começou acelerado, ao contrário de 2005. A eleição não perturbará isso", afirmou Mantega, depois de participar de Seminário Internacional sobre Política de Desenvolvimento Regional.

Juros de longo prazo
Mantega reafirmou ainda que há espaço para uma nova redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que poderia cair dos atuais 9% para 7% ao ano. A rigor, explicou ele, 7% seria uma taxa um pouco acima da fórmula da TJLP, que é o resultado do somatório do risco País (250 pontos) e da projeção da inflação (4,5% ao ano).

Segundo Mantega, o adiamento da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), a instância que define a TJLP, não se deveu a desacertos dentro do governo sobre uma nova redução dessa taxa, mas a um problema "normal, de agenda" dos ministros que integram o CMN. A reunião estava marcada para esta quinta-feira e foi adiada para o mesmo dia da próxima semana.

O Ministério da Fazenda defende a teoria de que a TJLP deveria aumentar, para aproximar-se da Selic. Mas Mantega insistiu que não há tal debate dentro do governo. "Não é desejável o aumento da TJLP. Sou favorável que a Selic caia e que possa caminhar de mãos dadas com a TJLP para baixo", afirmou, depois de participar de Seminário Internacional sobre Política de Desenvolvimento Regional.