Olhar Econômico

26 março, 2006

Quanto vale um ecossistemas?

Esse é, talvez, um dos novos dilemas da economia. Especificamente, a economia ambiental. Como valorar um bem que não tem valor econômico? Sei que isto beira a um paradoxo, mas na literatura econômica é isso mesmo. A economia neoclássica excluía, até a década de 60/70 a inter-relação entre economia e meio ambiente. Para os economistas neoclássicos, o meio ambiente era infinito e as trocas eram efetuadas naquele modelinho famoso, entre empresas e famílias. Nos últimos anos, a economia tenta corrigir este erro e mensurar o valor do meio ambiente. Prega-se até uma macroeconomia "verde", onde os indicadores macro contenham índices ambientais.

Mas, a questão que tento colocar não é esta de definir ou não um valor, mas alertar que uma parte do maior patrimônio nacional está a venda. Quando li uma reportagem sobre a venda de uma grande área (1.618 quilômetros quadrados) na amazônia, logo pensei que estaríamos concedendo ao capital privado algo que nem pode ser mensurado. Segundo o Jornal britânico The Sunday Times, a área (maior do que a cidade de Londres) está valendo perto de US$ 8 milhões (R$ 17 milhões).

E a compra desta área foi feita por um bilionário sueco que tem estimulado seus amigos a fazer o mesmo. Ou seja, comprar a amazônia. Me questiono diante dessa postura. E a soberania do país pode ser corrompida pelo dinheiro?

Então, a questão é quanto vale a amazônia de fato? Não só pelos aspectos quali-quantitativos de espécies de plantas e animais, mas todo o potencial de riqueza. Certamente que esse bilionário não vem proteger essas terras. Deve vir sim extrair o que ela tem de mais nobre, ou seja, suas espécies ainda não descobertas para a ciência. Com todo seu potencial farmacêutico, plantas exóticas. Enfim, diante de tudo isso qual a postura do governo. Defender ou se render? Não se surpreenda se a segunda alternativa predominar.

Aqui, a matéria da BBC Brasil.